De acordo com o presidente do Sindicacau, Luiz Fernandes Ferreira Andrade, as principais reivindicações apresentadas foram o reajuste salarial em 15%, ticket alimentação no valor de R$ 622,00, participação nos lucros e resultados, melhoria no plano odontológico e revisão do plano de cargos e salários. Ele explica que a data base de reajuste da categoria é o mês de junho e que o Sindicacau espera o início das negociações com as empresas de Barry Callebaut,Cargill Agricola S/A e Joanes Industrial localizadas em Ilhéus .
domingo, 27 de maio de 2012
Sindicacau dá inicio campanha salarial
De acordo com o presidente do Sindicacau, Luiz Fernandes Ferreira Andrade, as principais reivindicações apresentadas foram o reajuste salarial em 15%, ticket alimentação no valor de R$ 622,00, participação nos lucros e resultados, melhoria no plano odontológico e revisão do plano de cargos e salários. Ele explica que a data base de reajuste da categoria é o mês de junho e que o Sindicacau espera o início das negociações com as empresas de Barry Callebaut,Cargill Agricola S/A e Joanes Industrial localizadas em Ilhéus .
Fortuna macabra
O que levou uma mulher de 70 anos, de uma família rica e tradicional do Rio de Janeiro, a mandar matar seu próprio filho
Wilson Aquinofonte:istoé
CRIME
A doméstica Maria José da Silva Dias Irmã confessou ter intermediado
o assassinato, a mando da patroa, Maria Selma Costa dos Santos

Maria Selma Costa dos Santos, hoje com 70 anos, era uma mãe zelosa com os três filhos, duas meninas e um garoto, o primogênito José Fernandes. O marido, o empresário José Geraldo dos Santos Reis, conhecido como Caseca, atualmente com 91 anos, vem de uma família tradicional e rica, com raízes em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense (RJ). O pai dele, Gastão Glicério Gouveia José Geraldo dos Santos Reis, fora um político poderoso, prefeito duas vezes do município e dono de um patrimônio que incluía terrenos, imóveis, sítios, lojas comerciais, laboratório médico, franquia da Habib’s e cartórios. Na década de 2000, Caseca decidiu passar o controle dos negócios para o filho.
No início, tudo ia bem e o clã se reunia em datas festivas como qualquer família. Até que, há cerca de cinco anos, mãe e filho começaram a se desentender devido à desconfiança dela de que ele estaria lesando os familiares na partilha. Numa briga, ela o chamou de “ladrão” e ele revidou dizendo que só não quebrava a cara dela porque era uma mulher. Maria Selma passou a desconfiar que o filho estaria tramando sua morte, e teria sido mais rápida do que ele. Ele foi alvejado às 19h30 de 29 de novembro do ano passado quando saía da casa da mãe. Fria, falsa, ela teria se despedido dizendo “vai com Deus, meu filho.” Após ouvir os estampidos, mudou o tom: “Graças a Deus, este vai para o inferno.” Reis tinha 51 anos e era pai de um garoto de 15.
As frases constam dos depoimentos dados à polícia por testemunhas. Maria Selma nega que tenha sido a mandante do assassinato, mas a empregada doméstica Maria José da Silva Dias Irmã, 42 anos, confessou ter intermediado o crime. Ela declarou ter dado R$ 5 mil de adiantamento ao pistoleiro Isac Paula de Moraes, 22 anos, e mais R$ 15 mil após a realização do serviço. Todos estão presos. O assassino era segurança de rua e deu dois tiros na cabeça e um no tórax do filho de Selma. Ela foi presa na segunda-feira 21 por policiais da Delegacia de Caxias. “Ao mesmo tempo em que ficamos felizes por colocar na cadeia uma assassina, a gente se ressente ao ver essa degradação total do ser humano, por motivo tão torpe”, diz a promotora Cláudia Porto Carrero, garantindo que as provas contra Maria Selma são incontestáveis.
No início, tudo ia bem e o clã se reunia em datas festivas como qualquer família. Até que, há cerca de cinco anos, mãe e filho começaram a se desentender devido à desconfiança dela de que ele estaria lesando os familiares na partilha. Numa briga, ela o chamou de “ladrão” e ele revidou dizendo que só não quebrava a cara dela porque era uma mulher. Maria Selma passou a desconfiar que o filho estaria tramando sua morte, e teria sido mais rápida do que ele. Ele foi alvejado às 19h30 de 29 de novembro do ano passado quando saía da casa da mãe. Fria, falsa, ela teria se despedido dizendo “vai com Deus, meu filho.” Após ouvir os estampidos, mudou o tom: “Graças a Deus, este vai para o inferno.” Reis tinha 51 anos e era pai de um garoto de 15.
As frases constam dos depoimentos dados à polícia por testemunhas. Maria Selma nega que tenha sido a mandante do assassinato, mas a empregada doméstica Maria José da Silva Dias Irmã, 42 anos, confessou ter intermediado o crime. Ela declarou ter dado R$ 5 mil de adiantamento ao pistoleiro Isac Paula de Moraes, 22 anos, e mais R$ 15 mil após a realização do serviço. Todos estão presos. O assassino era segurança de rua e deu dois tiros na cabeça e um no tórax do filho de Selma. Ela foi presa na segunda-feira 21 por policiais da Delegacia de Caxias. “Ao mesmo tempo em que ficamos felizes por colocar na cadeia uma assassina, a gente se ressente ao ver essa degradação total do ser humano, por motivo tão torpe”, diz a promotora Cláudia Porto Carrero, garantindo que as provas contra Maria Selma são incontestáveis.


VÍTIMA
José Fernandes cuidava dos negócios da família e dava mesada
para a mãe e as irmãs. Ao lado, o prédio onde morava em Ipanema
O crime causa enorme perplexidade porque subverte um dos instintos considerados mais básicos da natureza humana: mães são capazes de defender os filhos até a morte, jamais mandar matá-los. Para a psicóloga Vera Lúcia Moris, às vezes as relações familiares são as mais doentias. “A pessoa alucina numa situação de ódio e perseguição e pode eleger um filho como algoz. E quando tem dinheiro envolvido, as pessoas ficam mesquinhas e cegas”, diz. Infelizmente, ninguém percebeu a tempo a perigosa relação doentia que se estabeleceu entre mãe e filho.
“Até cinco anos atrás, Selma dizia que o Casequinha (apelido de Reis) era um filho maravilhoso. Os dois se davam muito bem”, revelou uma amiga da família que preferiu não se identificar. No entanto, segundo ela, a mãe passou a suspeitar do filho porque ele se recusava a mostrar a contabilidade dos negócios para a família, abrindo alguns dados apenas para o pai idoso e doente. Não que faltasse dinheiro. “Ele (Reis) dava R$ 8 mil de mesada para as duas irmãs e também para a mãe”, contou. Mas enriquecia mais que os outros. Reis morava em um apartamento em Ipanema, um dos bairros mais caros do Rio, e tinha outros imóveis. A mãe se ressentia principalmente por conta da filha caçula, Maria Lúcia, 47 anos, com quem ela se dava melhor.
As brigas mudaram o tratamento entre eles. Reis não mais chamava Maria Selma de mãe e, sim, de “dona Selma.” Seis meses antes do crime, houve uma discussão muito séria e a divisão dos lucros, mais uma vez, estava no foco. “Ela ficou sentida por muitos dias. Depois, começou a dizer que o filho queria matá-la”, contou uma empregada da casa. Era o fim dos laços de afeto. De seu lado, Reis chegou a comentar com a mulher, a professora Vania Filgueiras Lopes, seu receio de que algo ruim acontecesse. Em depoimento à polícia, Vania revelou a conversa com o marido: “Ele chegou tenso. Perguntei o que estava havendo e ele disse ‘a dona Selma está armando alguma coisa para mim’.” Infelizmente, Reis estava certo.
“Até cinco anos atrás, Selma dizia que o Casequinha (apelido de Reis) era um filho maravilhoso. Os dois se davam muito bem”, revelou uma amiga da família que preferiu não se identificar. No entanto, segundo ela, a mãe passou a suspeitar do filho porque ele se recusava a mostrar a contabilidade dos negócios para a família, abrindo alguns dados apenas para o pai idoso e doente. Não que faltasse dinheiro. “Ele (Reis) dava R$ 8 mil de mesada para as duas irmãs e também para a mãe”, contou. Mas enriquecia mais que os outros. Reis morava em um apartamento em Ipanema, um dos bairros mais caros do Rio, e tinha outros imóveis. A mãe se ressentia principalmente por conta da filha caçula, Maria Lúcia, 47 anos, com quem ela se dava melhor.
As brigas mudaram o tratamento entre eles. Reis não mais chamava Maria Selma de mãe e, sim, de “dona Selma.” Seis meses antes do crime, houve uma discussão muito séria e a divisão dos lucros, mais uma vez, estava no foco. “Ela ficou sentida por muitos dias. Depois, começou a dizer que o filho queria matá-la”, contou uma empregada da casa. Era o fim dos laços de afeto. De seu lado, Reis chegou a comentar com a mulher, a professora Vania Filgueiras Lopes, seu receio de que algo ruim acontecesse. Em depoimento à polícia, Vania revelou a conversa com o marido: “Ele chegou tenso. Perguntei o que estava havendo e ele disse ‘a dona Selma está armando alguma coisa para mim’.” Infelizmente, Reis estava certo.
DIÁLOGOS REVELADORES
Algumas frases de Maria Selma, gravadas com autorização judicial em ligações telefônicas:
"Se ela (enfermeira que cuidava do marido) falar alguma coisa (sobre as brigas dela com o filho) não vai sobrar nem alma nem carne."
(Em conversa com a nora)
Algumas frases de Maria Selma, gravadas com autorização judicial em ligações telefônicas:
"Se ela (enfermeira que cuidava do marido) falar alguma coisa (sobre as brigas dela com o filho) não vai sobrar nem alma nem carne."
(Em conversa com a nora)
"Vou combinar com o advogado para orientar ela (uma das empregadas) a dizer que o José Fernandes era calado e não falava com ninguém."
(Com uma das filhas)
(Com uma das filhas)
"Tudo vai depender do que a garota (outra enfermeira) falar. Pobre é uma merda mesmo. É tudo lixo. Se ela quiser me ferrar, vou mover céus e terra. Eu tenho dinheiro."
(Com a nora)
(Com a nora)
"Vamos vender logo a casa pra não ter que dar nada pro filho dele (neto dela, filho da vítima)"
(Com uma filha)
(Com uma filha)
ADRIANA BARRETO
Nova técnica usa o hálito para diagnosticar doenças cardíacas

Por meio do sopro, exame é rápido e mais barato que o convencional
Da Agência Brasil
Uma técnica desenvolvida por pesquisadores do Instituto do Coração (InCor), do Hospital das Clínicas, faz o diagnóstico de insuficiência cardíaca de forma rápida, precisa e mais barata, por meio, apenas, do sopro.
O exame é feito com um pequeno aparelho que mede o nível de acetona (substância de cheiro forte, produzida durante os processo de metabolismo do corpo) presente no ar expelido pelo paciente. Quanto maior o nível, mais elevado é o estágio da doença.
A nova técnica pretende facilitar o diagnóstico principalmente em postos de atendimento que não são especializados em doenças do coração. Atualmente, a constatação da insuficiência é feita por um exame de sangue, que verifica a presença de uma substância chamada bnt.
Marcondes Bacal, médico do InCor comentou as vantagens do exame.
— O novo exame é tão preciso quanto o atual, pois observamos que o nível da acetona no ar exalado cresce de maneira proporcional ao nível do biomarcador bnt no sangue.
Além disso, o novo exame custará cerca de 30% do valor cobrado na análise do sangue.
— O exame de sangue custa mais de R$ 100. A troca vai reduzir custo para o pacientes e até para o SUS [Sistema Único de Saúde].
Segundo Fernando Bacal, a insuficiência cardíaca é a etapa final de uma série de doenças que atingem o coração, como miocardites, doença de chagas, infartos. O órgão fica debilitado e passa a bombear o sangue com menos força. Isso causa retenção de líquidos, inchaços, acumulo de água no pulmão e principalmente falta de ar e cansaço excessivo aos esforços.
— Cerca de 10% dos pacientes que atingem esse nível da doença necessitam de transplante e aproximadamente 50% correm o risco de morrer.
O médico disse que o estudo dessa nova técnica surgiu quando se observou que os pacientes em fase avançada da doença exalavam um forte cheiro pela boca ao falar.
— O hálito deles tem um odor peculiar, que chamou a atenção. A pesquisa investigou qual era esse elemento [que causava o cheiro] e identificou a acetona como um novo biomarcador da doença, capaz de confirmar a insuficiência cardíaca.
Fabiana Marcondes Braga, cardiologista do InCor e autora de uma tese de doutorado sobre acetona, explica que a substância não é produzida no dia a dia.
— Quando acontece é porque há alguma agressão. O corpo a produz para se sustentar e fazer energia de alguma maneira.
Bacal, porém, destaca que a análise do sangue exige uma estrutura para ser feita.
— No novo aparelho, atualmente pegamos o ar exalado, condensamos com um processo de resfriamento, levamos o líquido para o laboratório e o resultado sai em horas. Mas, com algumas evoluções, vamos conseguir com que o resultado saia imediatamente, no próprio aparelho. Isso vai possibilitar um encaminhamento mais imediato para o tratamento especializado.
O estudo tem a parceria do Instituto de Química da USP (Universidade de São Paulo) e da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Segundo Marcondes Bacal, o próximo passo é levar a pesquisa para outras universidades.
— Vamos tentar aprimorar o aparelho de coleta do ar exalado e depois conseguir uma parceria com indústrias para o desenvolvimento tecnológico. Se tudo der certo, dentro de um ou dois anos a técnica já estará disponível.
fonte:r7
Internautas protestam contra trabalho escravo em grife de luxo
Gregory informa que só compra "peças prontas e acabadas" de fornecedores
Isabela Azevedo, fonte: R7, em Brasília
Jovem
cuida do filho recém nascido enquanto trabalha. O carrinho fica ao lado
da máquina de costura em fornecedora da Gregory, denunciada por
trabalho escravo
Publicidade
Foi encontrada, por exemplo, uma jovem que mantinha o filho recém-nascido no colo amamentando enquanto costurava um vestido de renda. Além disso, os armários permaneciam trancados para que os funcionários não pudessem comer sem autorização.
Esses funcionários afirmaram que precisavam do consentimento do patrão para deixar o local de trabalho — o que nem sempre era permitido. Eles trabalhavam das 7h às 22h.
Trabalho escravo terá ação milionária executada neste ano
Grife de luxo é acusada de manter trabalho escravo em confecções
A Gregory foi autuada no último dia 15. Diante das constatações, a internauta Tati Nogueira não poupou a marca na perfil da Gregory no Facebook.
— Loja com suspeita de trabalho escravo não quero nem de graça!
A usuária do Facebook Aline Aguiar também se juntou ao coro.
— Decepção. Gregory produz lindas peças à custa da liberdade e da dignidade de trabalhadores. Isso é crime e quem consome produtos da marca está sendo conivente.
Outro lado
A Gregory postou uma mensagem na rede social para se justificar aos internautas e argumenta que foram as fornecedoras que praticavam o trabalho escravo e não a marca.
A nota informa que "a Gregory nunca teve qualquer tipo de relação com as oficinas mencionadas, não remete tecido para beneficiamento e não utiliza intermediários ou tomadores de mão de obra de qualquer espécie. A Gregory realiza operações puramente comerciais, comprando peças prontas e acabadas, produzidas exclusivamente por seus fornecedores. A empresa é contra qualquer tipo de trabalho em condições consideradas análogas à escravidão."
Críticas à grife de luxo
Dezenas de internautas protestaram na página do R7 no Facebook neste domingo (27) ao lerem a notícia de que a Gregory estaria utilizando mão-de-obra escrava. Fatima Maeda postou que sempre achou a marca confiável.
— E eu que não sabia disso... Perderam uma cliente.
A técnica em vestuário Bárbara Paz ponderou que a responsabilidade pelo trabalho escravo não é da Gregory, mas das fábricas que prestam serviço para a empresa.
— Quem escraviza são os próprios donos das oficinas de costura (bolivianos) e não as grifes.
Para o funcionário da prefeitura de Diadema (SP) Ademar Oliveira, mesmo que as oficinas de costura tenham sido as responsáveis, a grife deveria ter rompido contrato com essas fornecedoras.
— Quando se contrata uma prestadora de serviço, você vai até a mesma averiguar como as coisas funcionam, creio eu. Não tem desculpa!
Trabalho escravo nas cidades
A atenção dos fiscais ao trabalho escravo em ambiente urbano tem crescido nos últimos quatro anos. Antes disso, a ação do Ministério do Trabalho estava mais focada nas áreas rurais, de acordo com o chefe da Divisão de Fiscalização para a Erradicação do Trabalho Escravo do ministério, Alexandre Lyra.
— No meio rural, a fiscalização ao trabalho escravo se desenvolve desde 1995. Já no meio urbano ela tem acontecido nos últimos anos. Não sei se, no meio urbano, o trabalho escravo tem crescido ou se a gente tem se estruturado melhor para enfrentar.
Desde 1995, mais de 42 mil trabalhadores foram libertados, segundo o Ministério do Trabalho. Ainda não há dados precisos sobre a libertação de empregados em situação análoga à de escravo em áreas urbanas.
Mas sabe-se que a construção civil é quem mais emprega pessoas nessas condições, seguida da indústria têxtil. No ano passado, o trabalho escravo em zona urbana foi muito divulgado a partir da autuação da empresa Zara. A grife de roupas espanhola mantinha fábrica com 16 trabalhadores em condição análoga à de escravo em uma fábrica na Zona Leste de São Paulo.
Abuso sexual: O longo caminho da superação
Aumentam as denúncias de violência contra crianças e adolescentes, mas ainda é preciso avançar no atendimento às vítimas e na punição dos culpados
Natália Martinofonte:istoé
"Eu sabia que era errado porque ele me pedia que não contasse a
ninguém e porque nenhum outro adulto fazia aquilo comigo"
L., que foi abusada pelo avô
Ao o romper o silêncio e contar, na tevê, ter sido vítima de abuso sexual na infância, a apresentadora Maria da Graça Meneghel, a Xuxa, jogou luz sobre um tema que somente agora a sociedade começa a encarar de frente. O resultado mais imediato do depoimento foi o aumento de ligações para o Disque Direitos Humanos, o Disque 100. Nos dois dias seguintes ao seu desabafo, no domingo 20, o principal canal de denúncias de violência contra crianças e adolescentes recebeu 285 mil ligações, 30% a mais do que nos mesmos dias da semana anterior. Um pico como esse é raro, mas o histórico do Disque 100 mostra um crescimento do número de ligações ano a ano (leia quadro), reflexo do maior conhecimento das pessoas sobre o tema. O primeiro passo para resolver o problema é saber suas proporções, mas o caminho até a superação do trauma por parte da vítima e a punição de seu algoz é longo. E nisso o Brasil está apenas engatinhando.
As denúncias chegam, em geral, por conhecidos das vítimas, raramente pelas pessoas abusadas. “Por um misto de medo e culpa, muitas delas passam décadas sem compartilhar a dor com ninguém”, explica a psicóloga Elizabeth Vieira Gomes, do Comitê Nacional de Enfrentamento de Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes. Xuxa levou mais de 30 anos para assumir publicamente os abusos. O silêncio de L. durou 12 anos. “Eu tinha medo de ninguém acreditar em mim, ele era uma pessoa em quem todos confiavam”, conta. Ela não tinha mais de 4 anos quando o avô lhe disse “olha o que eu tenho aqui, é diferente do que você tem”, e lhe mostrou seu órgão sexual. A carioca de 31 anos não se lembra de detalhes desse dia, mas tem recordações claras das carícias sexuais que ele lhe fez aos dez anos. “Eu sabia que era errado porque ele me pedia que não contasse a ninguém e porque nenhum outro adulto fazia aquilo comigo”, diz. Só aos 16 anos ela confessou o ocorrido à mãe. “Passei esse tempo nutrindo ódio pelo meu avô sem nunca revelar a razão”, diz ela.
As reações de descrença em Xuxa manifestadas nas redes sociais também acontecem com anônimos. Muitas vezes, por parte de quem deveria ajudar a vítima. “É comum os médicos e os policiais dizerem que tudo não passou de ‘sem-vergonhice’ da pessoa que sofreu o abuso”, afirma Waldemar Oliveira, do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Yves de Roussan da Bahia (Cedeca). Em alguns hospitais do País, porém, a situação é diferente. No Hospital das Clínicas de São Paulo, por exemplo, funciona há dez anos o Núcleo de Assistência à Vítima de Violência Sexual (Navis). Trata-se de um grupo formado por enfermeiros, assistentes sociais e médicos de várias especialidades que se empenham em prestar atendimento rápido e eficiente a quem precisa. “Os casos de violência sexual exigem muita sensibilidade”, diz a médica Ivete Boulos, coordenadora do Núcleo. As vítimas, e, às vezes, alguns familiares, também recebem acompanhamento psicológico por, no mínimo, seis meses.
“O médico precisa estar preparado para fazer o primeiro acolhimento, pois os remédios que podem prevenir Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) só são eficientes nas 72 horas posteriores à agressão”, diz Ivete. Segundo ela, há pessoas que chegam anos depois de terem sofrido a violência e são diagnosticadas com doenças como sífilis e vários problemas psicológicos. Em outros casos, pais levam os filhos para tratar problemas de saúde e os médicos detectam a existência de DSTs. Serviços desse tipo também existem em cidades como Ribeirão Preto, Campinas, Belo Horizonte, Curitiba e Goiânia, mas ainda não estão presentes na maior parte do País.
Nas esferas legislativa e jurídica também são necessárias adaptações. O avanço mais recente foi a sanção da lei que define que o tempo de prescrição do crime de abuso sexual conta a partir dos 18 anos da vítima. No campo jurídico, as mudanças começaram na década de 1990 com a criação de varas especializadas em infância e juventude. “Nas varas comuns, o objetivo é prender o suspeito, nas especializadas a prioridade é acolher as vítimas”, explica Lélio Ferraz de Siqueira Neto, promotor de Justiça da Infância e Juventude do Ministério Público de São Paulo. Para isso, os membros recebem treinamentos especiais e até alguns dos processos são revistos. Em São Paulo, a criança presta depoimento uma única vez e não precisa repetir a história para o delegado, depois para o promotor e assim por diante.
Essas varas especializadas agilizam o julgamento dos casos. De acordo com levantamento realizado pelo Cedeca da Bahia, antes da criação da primeira vara especial do Estado, em 1997, a maioria dos processos de abusos sexuais demorava tanto tempo para ser julgada que prescrevia. Com as varas especializadas, o problema praticamente acabou e o tempo de tramitação, que antes variava entre seis e dez anos, passou a ser, no máximo, de dois anos. No entanto, ainda existem pouquíssimas dessas varas no País. A média é de um juiz especializado para atender quase 400 mil pessoas. Essa deficiência, aliada à dificuldade em se conseguir provas de uma agressão que acontece, na maioria das vezes, dentro da casa das vítimas, resulta em um enorme número de casos sem solução. É preciso mudar essa realidade.
As denúncias chegam, em geral, por conhecidos das vítimas, raramente pelas pessoas abusadas. “Por um misto de medo e culpa, muitas delas passam décadas sem compartilhar a dor com ninguém”, explica a psicóloga Elizabeth Vieira Gomes, do Comitê Nacional de Enfrentamento de Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes. Xuxa levou mais de 30 anos para assumir publicamente os abusos. O silêncio de L. durou 12 anos. “Eu tinha medo de ninguém acreditar em mim, ele era uma pessoa em quem todos confiavam”, conta. Ela não tinha mais de 4 anos quando o avô lhe disse “olha o que eu tenho aqui, é diferente do que você tem”, e lhe mostrou seu órgão sexual. A carioca de 31 anos não se lembra de detalhes desse dia, mas tem recordações claras das carícias sexuais que ele lhe fez aos dez anos. “Eu sabia que era errado porque ele me pedia que não contasse a ninguém e porque nenhum outro adulto fazia aquilo comigo”, diz. Só aos 16 anos ela confessou o ocorrido à mãe. “Passei esse tempo nutrindo ódio pelo meu avô sem nunca revelar a razão”, diz ela.
As reações de descrença em Xuxa manifestadas nas redes sociais também acontecem com anônimos. Muitas vezes, por parte de quem deveria ajudar a vítima. “É comum os médicos e os policiais dizerem que tudo não passou de ‘sem-vergonhice’ da pessoa que sofreu o abuso”, afirma Waldemar Oliveira, do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Yves de Roussan da Bahia (Cedeca). Em alguns hospitais do País, porém, a situação é diferente. No Hospital das Clínicas de São Paulo, por exemplo, funciona há dez anos o Núcleo de Assistência à Vítima de Violência Sexual (Navis). Trata-se de um grupo formado por enfermeiros, assistentes sociais e médicos de várias especialidades que se empenham em prestar atendimento rápido e eficiente a quem precisa. “Os casos de violência sexual exigem muita sensibilidade”, diz a médica Ivete Boulos, coordenadora do Núcleo. As vítimas, e, às vezes, alguns familiares, também recebem acompanhamento psicológico por, no mínimo, seis meses.
“O médico precisa estar preparado para fazer o primeiro acolhimento, pois os remédios que podem prevenir Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) só são eficientes nas 72 horas posteriores à agressão”, diz Ivete. Segundo ela, há pessoas que chegam anos depois de terem sofrido a violência e são diagnosticadas com doenças como sífilis e vários problemas psicológicos. Em outros casos, pais levam os filhos para tratar problemas de saúde e os médicos detectam a existência de DSTs. Serviços desse tipo também existem em cidades como Ribeirão Preto, Campinas, Belo Horizonte, Curitiba e Goiânia, mas ainda não estão presentes na maior parte do País.
Nas esferas legislativa e jurídica também são necessárias adaptações. O avanço mais recente foi a sanção da lei que define que o tempo de prescrição do crime de abuso sexual conta a partir dos 18 anos da vítima. No campo jurídico, as mudanças começaram na década de 1990 com a criação de varas especializadas em infância e juventude. “Nas varas comuns, o objetivo é prender o suspeito, nas especializadas a prioridade é acolher as vítimas”, explica Lélio Ferraz de Siqueira Neto, promotor de Justiça da Infância e Juventude do Ministério Público de São Paulo. Para isso, os membros recebem treinamentos especiais e até alguns dos processos são revistos. Em São Paulo, a criança presta depoimento uma única vez e não precisa repetir a história para o delegado, depois para o promotor e assim por diante.
Essas varas especializadas agilizam o julgamento dos casos. De acordo com levantamento realizado pelo Cedeca da Bahia, antes da criação da primeira vara especial do Estado, em 1997, a maioria dos processos de abusos sexuais demorava tanto tempo para ser julgada que prescrevia. Com as varas especializadas, o problema praticamente acabou e o tempo de tramitação, que antes variava entre seis e dez anos, passou a ser, no máximo, de dois anos. No entanto, ainda existem pouquíssimas dessas varas no País. A média é de um juiz especializado para atender quase 400 mil pessoas. Essa deficiência, aliada à dificuldade em se conseguir provas de uma agressão que acontece, na maioria das vezes, dentro da casa das vítimas, resulta em um enorme número de casos sem solução. É preciso mudar essa realidade.

sexta-feira, 25 de maio de 2012
NESTLÉ PROVOCA IMPASSE NAS NEGOCIAÇÕES E PODERÁ AMARGAR UMA GREVE
Atualmente, mesmo com
seus 06 anos de vida em Feira de Santana-Bahia, a NESTLÉ veem praticando
algo atípico de suas politicas adotadas em relação a outras unidades
fabris.
Com isso, depois da
reunião do dia 16 de maio onde os representantes da empresa não
apresentaram os números convincentes para se pensa em fazer uma
negociação, o SINDALIMENTAÇÃO - BAHIA realizou assembleias ampliadas na
última segunda - feira (21), nos três turnos de funcionamento da fábrica
e, tirou encaminhamentos junto aos trabalhadores onde foi aprovado a
autorização para que se a empresa não apresentasse números convinventes
na reunião do dia 23 de maio o SINDICATO publicaria o EDITAL de GREVE.
No movimento, além do
Sindalimentação, estavam dando o apoio o Sindicarne, Metalurgicos de
Feira de Santana, Sindicelpa, Federação dos Trabalhadores de Alimentação
do Estado da Bahia e CONTAC.
Como previsto, a empresa informou
que não tinha mais números para apresentar. Com isso, de imediato a
DIREÇÃO DO SINDICATO se reuniu com o departamento juridico e encaminhou
para o Jornal A Tarde o Edital de Greve que será publicado nesta
sexta-feira, 25 de maio de 2012.
fonte:http://www.nalutaenalabuta.com.br
Posição externa do Brasil não gera pânico, mas preocupa
Giulia Camillo (gcamillo@brasileconomico.com.br)
fonte:brasil economico
O Brasil vinha financiando o déficit em conta corrente com a entrada de capital estrangeiro. Com a redução do fluxo, a situação tende a se tornar mais preocupante.
Resumindo, o cenário reforçado pela Nota do Setor Externo, divulgada nesta quinta-feira (24/5) pelo Banco Central, traz a queda no saldo da balança comercial, a retirada de capital do país e a redução do investimento estrangeiro direto.
Tudo isso leva a uma pergunta: faltará dólar no Brasil? A resposta dos especialistas é um uníssono não.
"É impossível. O Brasil tem uma reserva internacional recorde de mais de US$ 370 bilhões. O Banco Central tem poder e vai agir se for preciso. Então estamos em situação bem confortável", diz o gerente de câmbio, Reginaldo Siaca.
Porém, os dados não deixam de apresentar certos riscos para o país, podendo levar até mesmo à retirada de medidas recentemente anunciadas pelo governo.
Segundo Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria, há uma possibilidade, por exemplo, de que o Ministério da Fazenda reveja o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para empréstimos de até cinco anos no exterior.
A nota do BC traz o balanço de pagamentos do país, uma espécie de somatória de todas as operações do Brasil com o exterior, que leva em consideração dois dados principais: as transações correntes e a conta capital e financeira.
Simplificando, as transações correntes mostram o fluxo de mercadorias e serviços - ou seja tudo o que o Brasil importa e exporta, de roupas e eletrodomésticos a frete e serviços bancários de instituições estrangeiras.
Já a conta capital e financeira, a grosso modo, mostra o fluxo de dinheiro que entra e sai do Brasil, seja por meio de investimentos, de turismo ou empréstimos.
Segundo a professora de economia Cristina Helena Pinto de Mello, da ESPM, na teoria, o resultado das transações correntes deveria ser equilibrado. Ou seja, as exportações deveriam ser suficientes para financiar as importações.
Porém, não foi isso que a Nota do Setor Externo mostrou, já que o déficit em conta corrente cresceu de US$ 3,6 bilhões em abril de 2011 para US$ 5,4 bilhões no mês passado.
Essa é uma situação que já acontece há tempos e o Brasil tem suprido essa diferença com a entrada de capital - ou seja, através dos resultados positivos da conta capital e financeira.
"O Brasil tem sido tão atraente que estava entrando muito dinheiro. Conseguíamos pagar a diferença e ainda acumular o restante, aumentando nossas reservas. Mas isso não é o ideal", explica a professora Cristina Helena.
"Já vínhamos nos financiando com fluxo de capitais há mto tempo, mas as mudanças cambiais desestimulam a entrada de capitais para o Brasil e isso potencializa o risco", acrescenta.
Conta corrente
O déficit em conta corrente em abril teve como pontos principais a redução do superávit comercial (de US$ 1,86 bilhão para US$ 882 milhões) e a elevação das remessas líquidas de renda, que subiram 27,3%, para US$ 3,2 bilhões.
Segundo o economista José Pio Martins, especialista do Instituto Millenium e reitor da Universidade Positivo, nesse ponto é a balança comercial que mais preocupa, pois é ela que determina a capacidade de pagamento do Brasil.
"País algum pode depender de Investimento Estrangeiro Direto, porque é muito volátil", explica Martins. Para ele as exportações perderam o fôlego devido a três fatores: o real apreciado, as incertezas externas e a queda no preço das commodities, principais bens exportados pelo país.
Agora, mesmo com a depreciação do real, a situação ainda continua tensa pois ninguém sabe quanto tempo a taxa de câmbio ficará no patamar de R$ 2. Sem segurança, a indústria não vai retomar o foco em exportações.
Além disso, a crise internacional prejudica a demanda pelos produtos brasileiros. "Os nossos parceiros comerciais não estão aumentando as compras só porque estamos ficando mais baratos. Eles têm problemas", comenta a professora Cristina Helena.
Fluxo financeiro
Para Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria, o déficit em conta corrente não gera um cenário de grande preocupação. A sua expectativa é de que a balança comercial tenha superávit de US$ 21,5 bilhões neste ano, enquanto as remessas de renda devem diminuir.
Por outro lado, ele se mostra mais preocupado com o que a conta de capital mostra sobre a percepção dos investidores em relação ao Brasil.
"Está claro que há um problema de curto prazo associado ao aumento da cautela no exterior e às medidas do governo. Aparentemente, o Brasil tem conseguido afugentar o capital externo, mas isso está acontecendo por causa da piora de percepção dos investidores e isso não é bom para o país", explica.
O Investimento Estrangeiro Direto caiu de US$ 5,5 bilhões para US$ 4,7 bilhões e a taxa de rolagem passou de uma média de 182% nos quatro primeiros meses do ano para 70%.
A LCA Consultores também relaciona esse movimento ao sentimento dos estrangeiros. "A queda está ligada ao aumento da percepção de risco e, consequentemente, à menor receptividade do mercado a títulos de economias emergentes".
fonte:brasil economico
Banco Central divulgou a Nota do Setor Externo, mostrando queda do IED e
aumento no déficit em conta corrente
O Brasil vinha financiando o déficit em conta corrente com a entrada de capital estrangeiro. Com a redução do fluxo, a situação tende a se tornar mais preocupante.
Resumindo, o cenário reforçado pela Nota do Setor Externo, divulgada nesta quinta-feira (24/5) pelo Banco Central, traz a queda no saldo da balança comercial, a retirada de capital do país e a redução do investimento estrangeiro direto.
Tudo isso leva a uma pergunta: faltará dólar no Brasil? A resposta dos especialistas é um uníssono não.
"É impossível. O Brasil tem uma reserva internacional recorde de mais de US$ 370 bilhões. O Banco Central tem poder e vai agir se for preciso. Então estamos em situação bem confortável", diz o gerente de câmbio, Reginaldo Siaca.
Porém, os dados não deixam de apresentar certos riscos para o país, podendo levar até mesmo à retirada de medidas recentemente anunciadas pelo governo.
Segundo Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria, há uma possibilidade, por exemplo, de que o Ministério da Fazenda reveja o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para empréstimos de até cinco anos no exterior.
A nota do BC traz o balanço de pagamentos do país, uma espécie de somatória de todas as operações do Brasil com o exterior, que leva em consideração dois dados principais: as transações correntes e a conta capital e financeira.
Simplificando, as transações correntes mostram o fluxo de mercadorias e serviços - ou seja tudo o que o Brasil importa e exporta, de roupas e eletrodomésticos a frete e serviços bancários de instituições estrangeiras.
Já a conta capital e financeira, a grosso modo, mostra o fluxo de dinheiro que entra e sai do Brasil, seja por meio de investimentos, de turismo ou empréstimos.
Segundo a professora de economia Cristina Helena Pinto de Mello, da ESPM, na teoria, o resultado das transações correntes deveria ser equilibrado. Ou seja, as exportações deveriam ser suficientes para financiar as importações.
Porém, não foi isso que a Nota do Setor Externo mostrou, já que o déficit em conta corrente cresceu de US$ 3,6 bilhões em abril de 2011 para US$ 5,4 bilhões no mês passado.
Essa é uma situação que já acontece há tempos e o Brasil tem suprido essa diferença com a entrada de capital - ou seja, através dos resultados positivos da conta capital e financeira.
"O Brasil tem sido tão atraente que estava entrando muito dinheiro. Conseguíamos pagar a diferença e ainda acumular o restante, aumentando nossas reservas. Mas isso não é o ideal", explica a professora Cristina Helena.
"Já vínhamos nos financiando com fluxo de capitais há mto tempo, mas as mudanças cambiais desestimulam a entrada de capitais para o Brasil e isso potencializa o risco", acrescenta.
Conta corrente
O déficit em conta corrente em abril teve como pontos principais a redução do superávit comercial (de US$ 1,86 bilhão para US$ 882 milhões) e a elevação das remessas líquidas de renda, que subiram 27,3%, para US$ 3,2 bilhões.
Segundo o economista José Pio Martins, especialista do Instituto Millenium e reitor da Universidade Positivo, nesse ponto é a balança comercial que mais preocupa, pois é ela que determina a capacidade de pagamento do Brasil.
"País algum pode depender de Investimento Estrangeiro Direto, porque é muito volátil", explica Martins. Para ele as exportações perderam o fôlego devido a três fatores: o real apreciado, as incertezas externas e a queda no preço das commodities, principais bens exportados pelo país.
Agora, mesmo com a depreciação do real, a situação ainda continua tensa pois ninguém sabe quanto tempo a taxa de câmbio ficará no patamar de R$ 2. Sem segurança, a indústria não vai retomar o foco em exportações.
Além disso, a crise internacional prejudica a demanda pelos produtos brasileiros. "Os nossos parceiros comerciais não estão aumentando as compras só porque estamos ficando mais baratos. Eles têm problemas", comenta a professora Cristina Helena.
Fluxo financeiro
Para Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria, o déficit em conta corrente não gera um cenário de grande preocupação. A sua expectativa é de que a balança comercial tenha superávit de US$ 21,5 bilhões neste ano, enquanto as remessas de renda devem diminuir.
Por outro lado, ele se mostra mais preocupado com o que a conta de capital mostra sobre a percepção dos investidores em relação ao Brasil.
"Está claro que há um problema de curto prazo associado ao aumento da cautela no exterior e às medidas do governo. Aparentemente, o Brasil tem conseguido afugentar o capital externo, mas isso está acontecendo por causa da piora de percepção dos investidores e isso não é bom para o país", explica.
O Investimento Estrangeiro Direto caiu de US$ 5,5 bilhões para US$ 4,7 bilhões e a taxa de rolagem passou de uma média de 182% nos quatro primeiros meses do ano para 70%.
A LCA Consultores também relaciona esse movimento ao sentimento dos estrangeiros. "A queda está ligada ao aumento da percepção de risco e, consequentemente, à menor receptividade do mercado a títulos de economias emergentes".
Europeus fazem planos para a saída da Grécia do euro
Folha de S.Paulo
Uma reportagem da agência de notícias Reuters sobre planos nacionais feitos por ministros das Finanças da Europa para a hipótese de a Grécia deixar a zona do euro e um relatório do Banco Central da Alemanha admitindo que a saída do país do bloco econômico é "manejável" fizeram com que as Bolsas tivessem fortes quedas ontem.
Em Londres, a redução foi de 2,53%. A Bolsa de Frankfurt encerrou o dia em baixa de 2,33%, pouco menor que a queda de 2,62% em Paris. A Bovespa caiu 0,76%.
Em menos de um mês, a Grécia passará por novas eleições, já que a primeira votação, no início deste mês, não resultou num governo.
Há forte possibilidade de uma coalizão de esquerda radical, contrária ao pacote de corte de gastos acertado com a União Europeia, vencer. Isso poderia levar à saída do país do euro.
As informações da Reuters davam conta de que, em conferência telefônica na segunda entre os 17 ministérios das Finanças da zona do euro, ficou acertado que cada país precisaria trabalhar em um plano de contingência para a saída da Grécia.
A outra fonte de preocupação foi o Banco Central alemão afirmar, em relatório, que a retirada da Grécia do bloco traria desafios que seriam administráveis, se a crise for tratada com prudência.
O governo grego negou que as autoridades europeias tenham recomendado que os países-membros se preparem para uma saída da Grécia do grupo.
Justiça inclui benefício de 90 na revisão do teto
Fernanda Brigattifonte: Agora
O TRF 3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) mandou o INSS incluir um benefício do período do buraco negro na lista da revisão pelo teto para que os atrasados sejam pagos no mesmo cronograma da correção que é feita nos postos.
O INSS desistiu de recorrer da decisão e o processo já foi devolvido para a Vara Federal de São Bernardo do Campo --onde ação foi iniciada-- para cálculo dos atrasados e do reajuste do benefício.
O segurado se aposentou em maio de 1990 e, após uma correção feita pelo INSS, teve o benefício limitado ao teto.
A mulher dele recebe pensão por morte calculada sobre a aposentadoria.
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